Andresa Espindula
Não me ame assim

Sol Em Dia Nublado

Sol Em Dia Nublado

Parte 2 de 4…

Mais uma semana se passou, e a mamãe  começou a finalmente ter  forças para levantar da cama, ela começou com coisas pequenas, levantava arrumava a casa e voltava ao quarto, outro dia levantava fazia um  bolo, ou o almoço e voltava para a cama novamente, aos poucos ela foi voltando a viver, com esse passar de semanas ela emagreceu um pouco e nada se parecia com a  minha mãe de algumas semanas atrás, eu estava fazendo tudo que podia, mas ainda parecia pouco.

“Filha, você esta há semanas trancada aqui, não é justo e eu não gosto de ver você assim.” – Ainda que seu coração fosse só tempestade, ela estava preocupada comigo.

“Mae, eu não quero deixar à senhora aqui, você precisa de mim agora. A senhora sempre cuidou de todos aqui nesta casa e agora eu quero cuidar da senhora. Não consigo sair e deixar a senhora aqui.”

“Amanda, você sempre foi zelosa de mais, não se preocupe eu estou me sentindo melhor, quero que você saia um pouco, quero que seja feliz, você não achara sua metade da laranja presa aqui dentro de casa.” – Minha mãe era um amor de pessoa. Talvez, ela tenha razão, eu preciso sair um pouco, ando me sentindo sufocada, não pela minha mãe, mas pela situação,  não sei o  que dizer a ela, não sei como agir. E, agora que meu pai não esta mais aqui, me pego pensando se minha aceitaria se eu trouxesse uma garota aqui, me pego pensando em almoços de família, os meninos com suas namoradas, eu com a minha namorada e mamãe sentada na mesa, todos juntos. Ao mesmo tempo em que me pego pensando nisso, fico me sentindo ruim, porque poxa, meu pai faleceu a pouco tempo e por mais que eu me sinta triste com isso, eu também me sinto libertada, como se uma corrente fosse tirada dos meus pés, é estranho de explicar e de entender também, por isso acho que mamãe tem razão, preciso sair um pouco para espairecer.

Conversei com o Arthur naquele mesmo dia a noite e ele achou a ideia ótima, concordou que eu precisava de um espaço para mim e meus pensamentos, disse que faltaria a faculdade, já estava no final do semestre mesmo, e ele queria ficar um pouco com a mamãe.  Liguei para a Fernanda minha melhor amiga e a convidei para ir comer algo e talvez pegar um cinema.

“Claro Amanda, vamos sim, fico feliz que você queira sair, vamos conversar e acho que será ótimo para você se distrair um pouco disso tudo, ah, vou levar a Lais, minha prima, não sei se vocês já se conhecem. Ela esta aqui em casa a alguns dias, o apto dela esta em reforma, ela vai com gente beleza?!”  – Meu coração pulou, e eu não entendi. Não sei quem era Lais, nunca a vi, não lembro nem da Fernanda falando sobre ela. E quanto mais eu pensava sobre quem ela poderia ser, mas meu coração batia sem sentindo algum.



Chegamos ao barzinho em que iriamos nos encontrar, logo de primeira já encontrei a Fernanda e ao lado dela uma garota linda, como eu nunca havia visto antes, ela era alta, cabelo preto, rosto fino e bem marcado, estava sem maquiagem o que me chamou mais atenção ainda, ela era linda assim, natural, estava usando um vestidinho azul com uma jaquetinha jeans amarrada na cintura e um tênis, ela parecia ter saído de algum sonho meu, e quando ela virou e sorriu na minha direção, eu não sei explicar, só sei dizer que o tempo parou, que meu coração virou cambalhotas dentro de mim e que eu não conseguia reagir, não sabia se ia ate elas, se saia correndo, ou se ficava somente parada olhando para a garota mais linda que eu já havia visto em toda minha vida.  Engoli o nervosismo e a ansiedade e fui.

“Oi Fernanda.” – Eu cumprimentei a Nanda, mas meus olhos  não saiam do sorriso da Lais.

“Oi Amanda, esta aqui é a minha prima Lais. Lais esta é a Amanda a minha melhor amiga.” – O que eu faço agora, abraço, beijo, aperto a mão, ou já posso ir pedindo em casamento logo de cara?! E se ela não gostar de mim?  Ou pior se tiver namorado? Deus queira que não.

“Oi, prazer, a Nanda fala muito de você, estava louca para te conhecer, acho que podemos ser boas amigas. Afinal, se você atura a Fernanda não vai ser difícil conviver comigo.” – Ela sorriu um pouco e piscou para mim. Para mim. Neste momento eu só queria rir.  Rir de todo, de todos, rir para a vida. Porque sem duvida alguma a vida esta sorrindo para mim.

A Lais era engraçada, linda, cheia de carisma, simpática, linda, amável, cuidadosa com as pessoas e os sentimentos alheios, linda, doce, dentista, super animada, cheia de vida, eu já disse linda? Tinha uma energia, uma aura, uma alma. Que era impossível não se apaixonar, ficamos a noite toda conversando e a Fernanda notou meus sentimentos, e sorria de volta sempre que eu me interessava mais por qualquer assunto que viesse da Lais.

“Lais, você tem namorado?” – Se estivéssemos no jogo do milhão, esta seria a pergunta final a que valeria um milhão, sem dúvida alguma. Estava com tanto me medo da resposta que meu estomago estava doendo. Minhas mãos suavam e meu coração batia freneticamente.

“Não, não tenho namorado Amanda. Já tive alguns, mas não sei, acho que nunca amei nenhum de verdade.”  –  Eu só sabia senti alivio, só sabia sentir felicidade. Eu era só amor e havia possibilidade de ser correspondida.  Eu estava decidida, iria conquista-la, seriamos namorada, noivas e casaríamos. Lindamente, seriamos felizes era fácil sentir, era fácil ama-la.

Conversamos mais um monte e na hora do filme, deixamos a Fernanda assistindo e fomos para a praça de alimentação do shopping para conversar, era fácil, acontecia rápido, e o assunto nunca acabava, falávamos de coisas rotineiras de coisas que não tinham sentido, de um assunto passávamos para o outro e depois para o outro, e o filme acabou, a Nanda apareceu e me lançou um sorriso discreto, como ela era minha melhor amiga da vida toda, era fácil para ela saber o que eu sentia, como eu me sentia, afinal, assim são as melhores amigas entendem a gente só com o olhar.  Dividimos um Uber e eu fiquei em casa, cheguei sorrindo como uma boba, com o perfume da Lais em mim, e eu nunca mais iria querer tirar essa roupa, porque ela disse que amou, disse que eu estava linda e isso aqueceu de mais meu coração. Eu precisava contar para minha mãe, eu precisava que ela soubesse.



Corri até o quarto dela e o encontrei vazio, chamei pelo Arthur, mas ao que parecia não havia ninguém em casa, era tarde e não posso imaginar a onde eles tenham ido. Peguei meu celular para ligar para o Arthur e vi que estava sem bateria, deveria ter se desligado a um bom tempo e eu não havia visto, porque estava ocupada. Corri e engatei no carregador, três minutos depois, o celular havia se ligado e mensagens começaram a chegar, ligações perdidas do Arthur, desde as nove da noite, olhei no relógio e já era meia noite, eu havia perdido a noção do tempo. Liguei de volta e o Arthur atendeu, com uma voz baixa, arrastada, e um bip ao final. Meu peito se apertou, mesmo antes do Arthur me contar eu já sabia onde eles estavam. Me senti péssima por ter me distraído tanto. O Arthur me passou o endereço do hospital e disse que a mamãe estava um pouco melhor, estava em observação, mas o coração dela estava ficando cada vez mais fraco, ele pediu que eu fosse com calma, e que me preparasse pelo caminho. Cheguei ao hospital e entrei até o quarto em que minha mãe estava, mas não me pergunte como fiz todo esse trajeto, porque eu não sei. Não lembro. Cheguei ao quarto e vi ela ali, deitada, vulnerável, e o Arthur e Kevin com as suas namoradas, sentados todos perto da cama da mamãe, ela estava com o olho aberto, não completamente, quando ela me viu, um sorriso apareceu nos olhos dela e eu não pude deixar de sorrir também, eu tinha tanta coisa para contar para ela, eu precisava, e agora ela estava ali, o monitor estava apitando cada vez mais, nos avisando que o coração dela estava parando. Ela segurou minha mão e deu um sorriso lindo como há muito tempo eu não via no seu rosto cansado e triste.

“Amanda, filha, eu posso sentir que chegou minha hora, eu precisava te ver antes, ver todos meus filhos aqui, olhar no rostinho de cada um…” – As palavras começavam a falhar, e a voz sumia, era nítido a força que exigia dela  para que conseguisse se comunicar. “Eu olho para o olhinho de cada um e eu sei que estão felizes e que encontraram o amor de vocês, até mesmo no seu  Amanda, não sei onde você foi hoje ou com quem, mas há amor nos seus olhos e era tudo que eu queria ver para partir em paz…” – Era difícil ouvir ela dizendo aquelas palavras eu queria impedi-la, dizer que ela deveria descansar e que tudo iria ficar bem, mas eu não tinha voz, não tinha reação, e meus irmãos estavam do mesmo jeito que eu. Imóveis… “Filha, filhos, quando vocês tiverem passado uma vida toda ao lado de uma mesma pessoa, compartilhando amor, medo, inseguranças, sonhos, desejos, vocês saberão e entenderão o que eu vou dizer agora. Quando o amor da nossa vida parte, não nos resta nada aqui, a não ser partir também. E, o meu grande amor partiu, e agora eu vou ficar com ele.” – Eu chorava. Meu coração chorava. Eu não tinha dito nada, e ela já havia entendido tudo.

“Mãe, obrigada por tudo, eu estou muito feliz e tenho certeza que meus irmãos também. Se a senhora precisava disto para partir em paz, então vá ficar com o seu amor, que nós aqui estamos com o nosso.” – Ela sorriu deu um beijo na minha mão,  jogou um beijo para cada filho e depois disse baixinho, num sussurro.

“Eu estou chegando Sergio, espere mais um pouco. A Sua Helena está a caminho, juntos para toda a eternidade.” – Serenamente ela fechou os olhos e partiu.

 

Continua….

 

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