Andresa Espindula
Não me ame assim

Sol Em Dia Nublado

Sol Em Dia Nublado

Parte 3 de 4…

Ali eu senti o chão saindo de baixo dos meus pés, eu queria correr para longe, mas queria ficar ao lado da minha mãe e tentar fazer alguma coisa, eu queria que ela acordasse que tudo fosse mentira, eu queria voltar no tempo e não contar nada ao meu pai, não contar nada a ninguém, eu só queria eles de volta. Enquanto esses pensamentos  confusos passavam pela minha mente, o sorriso da Lais estava estampado lá no fundo da minha memória, e então eu senti. Eu precisava dela. Não consegui conversar com meus irmãos, nem com ninguém, sai correndo do hospital, peguei o celular e liguei para Nanda.

“Alo? Amanda? O que houve, são quatro da manha.” – Não tinha visto o horário, não tinha prestado atenção em nada.  Já estava no carro quando a Nanda atendeu, e meu coração chamava pela Lais.

“Nanda, minha mãe faleceu. Agora, eu estou me sentindo muito mal, preciso…” – Antes de eu terminar a Nanda completou.

“Você precisa da Lais! Eu sei, eu senti o seu coração pulando hoje, eu sei que você deve estar muito triste por causa da sua mãe, mas vai com calma com a Lais, nunca ouvi ela dizer que sente algo por meninas e sempre vi ela com muitos caras, então cuidado para não se machucar minha amiga. Vem aqui, a Lais está no quarto de cima, vou acordar ela. Estou aqui para você também amiga.” – A Nanda era foda!

“Obrigada Nanda, você é a melhor amiga do mundo, acorda ela sim, preciso de um abraço dela e seu também. Pode deixar que eu vou tentar ir com calma.” – Desliguei o telefone e fui, sabia o endereço da Nanda de cor, porque sempre fui muito a casa dela, mas nunca tinha ido com tantos sentimentos diferentes dentro de mim. Estava ansiosa por ver a Lais, estava com coração doendo de saudade da minha mãe, estava com medo do futuro, e com vontade de mudar o passado só para ter minha mãe por mais um dia.  Mas segui firme todo o trajeto. Quando estacionei o carro na frente da casa da Nanda, senti meu coração pulsar, senti ele fraquejar e por fim, senti ele transbordar, já entrei na casa chorando e quando bati na porta e a Lais atendeu com um sorriso cheio de ternura para mim, eu não consegui e nem queria mais me segurar, eu abracei e chorei. Chorei, chorei, por quase vinte minutos ali, abraçada nela sentindo o perfume dela e ela sem falar nada, estava ali comigo em pé, me abraçando e mexendo no meu cabelo.

“Amanda, Amanda, vem cá, vamos sentar, vem, Nanda, faz um chá, ou traz um suco alguma coisa para ela, por favor.” – A Nanda saiu em direção a cozinha e a Lais ainda segurando minha mão, me levou até o sofá, lá, ela sentou colocou uma almofada no colo e fez um gesto para que eu deitasse na almofada, eu queria dizer que estava me sentindo destruída quando cheguei, mas que agora, agora, eu não sei o que sentir, meu coração doía pela minha perca, mas ele também dançava para a garota de sorriso caloroso que estava me oferecendo colo.

“Obrigada Lais, você tem sido uma ótima amiga, te conheci outro dia e olha só agora, estou aqui pedindo consolo a você. Desculpa-me por ter-te abraçado daquele jeito e chorado no seu colo, e desculpa por ter pedido para a Nanda te acordar, mas, mas, eu precisava de você.” – Olhei para seus olhos esperando alguma resposta, principalmente, procurei algo que me fizesse insistir, que me motivasse a conquista-la, que me desse esperança. Bem, não encontrei tudo isso, mas encontrei um sentimento lindo naqueles olhos, encontrei uma garota doce, que ainda estava digerindo minhas palavras, que ainda não sabia o que pensar a respeito do que eu disse. Porem, ainda assim, sorriu para mim, alisou meu cabelo, mexeu na minha mão…

“Sabe Amanda, eu, eu sinto que seremos amigas por muito, muito tempo, você não precisa pedir desculpa por nada. Quando o celular da Nanda tocou eu acordei também, fiquei preocupada quando ela disse teu nome e pela entonação na voz dela. Você também não precisa pedir desculpas por ter chorado no meu colo. Eu não consigo me imaginar passando pelo que você tem passado ultimamente minha linda. Saiba, que meu colo será sempre seu.”  – E depois de ouvir essas lindas palavras, eu deixei meu coração se aliviar no colo da minha doce menina. Eu coloquei meu coração ali, no colo dela também, para que ela cuidasse e o recuperasse. Eu chorei, chorei como uma criança sozinha e desamparada. Chorei sem conseguir respirar.  Chorei sem saber como parar. Chorei para aliviar minha angustia. E quando não haviam mais lagrimas, eu dormi. Dormi profundamente.

Acordei com uma luz no meu rosto, e uma respiração quente perto de mim, quando abri os olhos e comecei a me localizar, lembrei que estava na casa da Nanda, no sofá mais exatamente, e foi ai que meu corpo lembrou disso, porque cada pedaço meu doía porque dormi toda de mal jeito, eu estava tapada com uma manta, mas havia uma respiração, um hálito quente, que me enchia o coração e me arrepiava a pele, abri completamente os olhos e vi ela, meu anjo em forma de menina, deitada toda torta em cima de mim, de lado, ainda sentada, estávamos emboladas, e essa teria sido uma noite perfeita, se a dor dentro do meu peito não me lembrasse do meu motivo de estar ali. E antes mesmo que eu conseguisse controlar uma chuva de lagrimas despencou pelos meus olhos e imediatamente a Lais acordou, olhou em volta  e quando olhou em minha direção e me viu chorando de novo, ela chorou junto, chorou comigo. Depois beijou meu cabelo, minha testa, me confortando.

Eu então me levantei as pressas, eu não podia me aproveitar da situação, eu não podia estragar, eu prometi para Nanda que iria divagar, e não era legal me aproveitar da situação, porem, algo dentro de mim estava falando mais alto e antes que eu estragasse tudo, ou que a Lais pensasse algo errado de mim. Eu levantei. Corri para a cozinha, e encontrei a Nanda tomando café da manha.

“Amanda, bom dia, como você está?  Eu fui levar o suco ontem… Amanda? Parece que você viu um fantasma, o que?…”

“Amanda..” – Aquela voz da Lais no meu ouvido fez todas as respostas que eu tinha começado a pensar em dar a Nanda sumir da minha cabeça. “Porque você saiu correndo desse jeito? O que eu  fiz de errado? Não estou entendendo.”  – Olhei para a Nanda em busca de ajuda, eu não podia dizer a verdade e a voz da Lais parecia triste e eu não queria deixa-la triste, mas também não estava conseguindo pensar direito.

“A Amanda acordou no impulso, ela estava contando agora, que esta atrasada, ela precisa ajudar os irmãos com o preparativo do funeral e essas burocracias.  Não se preocupe Lais, a Amanda é assim mesmo, do nada ela lembra das coisas e sai correndo. Te acostuma.” – Eu queria agradecer a Nanda por ela sempre saber o que dizer na hora certa, mas como não podia dizer com palavras, disse então, com sorriso, e estando mais calma agora, virei para a Lais e confirmei a história da Nanda.

“Você foi maravilhosa comigo. Impossível esquecer tudo o que você fez por mim, ainda me sinto triste, mas aquele medo terrível de ficar sozinha no mundo passou.” – Eu iria continuar falando, eu juro que iria fazer parecer menos apaixonada, no entanto a Lais me interrompeu.

“Eu não sei porque, mas acho que neste pouco tempo já sei quando você está mentindo. E aquela ali, bem, até de olhos fechados eu sei quando ela quer me enganar.  No entanto, sobre a outra coisa que você disse, sobre ficar sozinha, ou achar que vai ficar sozinha. Eu só tenho uma coisa para te dizer, você jamais estará sozinha nesta vida, enquanto eu puder fazer parte dela com você.” – Eu precisava correr de novo, ela estava falando como amiga, eu sei quer so como amiga, não podia ser mais… Ou podia?

….Continua.

 

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