Andresa Espindula
Não me ame assim

Um furacão chamado Besnik Kostandin

Um furacão chamado Besnik Kostandin

PARTE 1 

Encontrei ele por acaso, dirigindo um carro preto, um Honda, não era um carro grande, nem esportivo, ou caro, mas combinava com ele. Não consigo explicar, no entanto ver o carro dele era tão bom quanto ver ele, talvez porque eu sabia que se o carro estivesse estacionado nas redondezas da minha rua, isso seria um sinal de que ele estava por ali também e isso fazia com que meu coração se enchesse de luz e o estômago de borboletas, as pernas viravam gelatinas e eu mal conseguia caminhar direito, não tinha explicação, não poderia ser amor, porque eu não conhecia nada além do carro dele, não sabia seu nome, de onde era, ou motivo do porque ele  estava sempre na minha rua, mas não morava por aqui, para isso, havia uma única explicação, na minha rua havia vários comércios, o que me fazia pensar que ele trabalhava em algum por aqui e me deixava com mais curiosidade ainda para tentar descobrir.

 

Estava andando pela rua em direção ao meu carro, quando vi ele saindo de dentro de um restaurante, saiu e logo em seguida entrou no carro e rapidamente sumiu de vista e eu ali, parada com a chave do meu carro na mão, como uma boba olhando ele se afastar, não tem explicação razoável para isso, meu coração só faltava sair voando quando eu o via. Minha respiração mudava completamente, um desejo forte e intenso percorria todo meu corpo e eu precisava saber quem ele era. Entrei no meu carro e passei muito lentamente em frente ao restaurante, descobri que era o único restaurante italiano da cidade, “La bella cucina”, então comecei a deixar meu carro mais próximo do restaurante com a intensão de ver ele com mais frequência, o que deu muito certo, eu via ele pela manhã quando eu saia para trabalhar, via ele meio dia quando voltava para almoçar, via depois as 14h quando eu saia novamente e por último nos encontrávamos as 19h quando eu voltava do trabalho, depois de uma semana vendo ele nos mesmos horários, e sem esperança alguma de que ele tivesse me notado, ganhei um sorriso dele, um sorriso carregado de charme, por falar em charme, notei que ele não forçava ser charmoso, ele era, sorrindo, sério, distraído, ocupado, bravo, de qualquer forma, ele era charmoso, era sexy, era intenso, e eu sentia tudo isso, somente olhando para ele, eu sabia todos seus traços, todos os detalhes do seu rosto, ele era a minha obsessão e seria meu.

 

Depois do primeiro sorriso, os outros vieram com mais frequência, eram cada vez mais lindos, e eu comecei a me arrumar cada vez mais, comecei a me atrasar um pouco para o trabalho ou sair cedo de mais, porque eu ficava na janela esperando o carro dele aparecer na esquina, para então calcular o tempo de sair de casa e encontrar com ele casualmente na calçada, como se fosse natural, como mera coincidência. Seus sorrisos eram lindos, me deixavam sem ar, me faziam querer para-lo na rua e indaga-lo inúmeras coisas, começando pelo seu nome, eu não conseguia imaginar nenhum nome que combinasse com ele, é como se nenhum nome que eu conhecesse fosse bom ou se todos os nomes fossem normais de mais para alguém tão único.

 

Então, como vivemos num século meramente e maravilhosamente digital fui para a internet, achei o restaurante no Instagram e pesquisei, ou como diria Marina minha amiga, “Alicia, você é uma stalkeadora nata” sim, eu stalkeio pessoas na internet, eu analiso fotos, comentários, datas e descubro histórias maravilhosas, descobri que a Marina estava sendo traída dessa forma, depois de uma semana stealkeado um amiga do namorado dela, desde então acredito piedosamente que consigo encontrar tudo que quero, e neste momento não há nada que eu queira mais que ele. E bingo! La estava uma foto com meu lindo, com o meu menino com cara de malandro, uma foto do homem mais cheiroso que eu já cheguei perto, cliquei na foto rapidamente e procurei nos “likes” e la estava o instagram dele”@besnik.kostandin” depois de tentar ler umas vinte vezes cliquei no instagram dele e abri, havia somente 3 fotos, mas eram o suficiente para eu morrer de amor e por uma das fotos de plano de fundo do meu computador.

 

Depois de ver o nome dele, comecei a achar que Alicia Scheffer era um nome bem comum, para um garota comum como eu, e que o nome dele era único, assim como ele. Na cara e na coragem mandei uma solicitação de amizade, que em menos de 5 minutos foi retribuída com uma solicitação também, que depois de aceita, virou curtidas nas minhas últimas fotos e fez ver que ele estava ainda no meu mural de fotos do Insta, porque ele começou a curtir fotos antigas, publicadas a mais de dois anos atrás. Fiquei de olho nas mensagens para ver se ele ia me mandar alguma coisa, mas não, nenhum sinal, então fiz uma “historia” e ele foi o primeiro a ver, esperei 15 minutos e fiz outra “historia” desta vez ele demorou 25 minutos para ver. Sim, eu estava obcecada por ele, determinada em tê-lo na minha vida. Os dias passaram, os sorrisos continuavam, algumas trocas de olhares, visualizações em “historias” e discretamente começamos a conversar pelas “historias”, eu colocava uma música e dizia “minha música favorita dos últimos anos”, uma hora depois estava lá no Besnik fazendo uma “historia” com a música favorita dele e depois colocando uma foto super linda e perguntando na “historia” se seus seguidores haviam gostado da foto, se ele estava lindo, claro, que não pensei duas vezes antes de votar que sim, que ele estava maravilhosamente lindo como sempre.

 

Mais alguns dias e nada dele me chamar, eu precisava conversar com ele, chamar atenção dele, então me arrumei toda, passei maquiagem, arrumei meu cabelo, sentei em frente a janela de onde vinha uma boa luz e fiz uma selfie, postei no insta, e coloquei a legenda “Aqui, sentada, vendo a vida passar, sem nada para fazer, sem alguém para amar.” BINGO de novo! Ele me mandou minha própria foto e escreveu assim:

 

– “Espera mais cinco minutos que eu vou passar aí na frente, já que você disse que estava vendo sua vida passar ;)” – Vi o emoji com a piscadela e logo imaginei ele piscando assim, quase precisei chamar a ambulância, senti meu coração fraquejar.

 

– “hahaha, boa, ok. Eu vou esperar mais cinco minutos aqui.” – Respondi como se eu não estivesse realmente sentada na janela por ele.

 

-“sem alguém para amar?” Como uma garota linda dessa não tem ninguém para amar? Não consigo entender. – Eitaaaaaaa! Ele já caiu atirando. Adorei, meus dedos tremiam tanto que eu mal conseguia digitar, digitei e apaguei varias vezes sem saber o que mandar.

 

-“Olha para cima, estou aqui” – comecei a rir, e então lembrei que eu estava na janela, literalmente, de joelhos, para poder fazer uma selfie boa com bastante luz, olhei para frente, e lá estava o carro preto, e ele com o braço na janela, olhando para mim e sorrindo levemente, com todo o charme do mundo. Sorri de volta e corri como uma adolescente para dentro casa com o rosto vermelho, sentindo uma vergonha gigantesca, agora era oficial, eu estava completamente apaixonada por um cara que eu não sabia praticamente nada sobre.

 

Três dias passaram e viramos grandes amigos, conversamos muito e ele sempre muito charmoso, sabia as palavras certas, as frases mais cafonas do mundo, e eu constatei nitidamente que ele era o tipo de homem que eu sempre fugi a minha vida toda. O cara que não leva ninguém a sério. Que sabe que é lindo e que mexe com todas as garotas do mundo, a pior espécie de homem que existe, mas eu não sei o porque, continuo apaixonada como louca e desejando ele como nunca.

 

Ele me mandava mensagem nas horas menos inusitadas, as 4 da madrugada, ou as 6 da manhã, e todo dia eu recebia um bom dia, e um boa noite, era sempre assim, me acostumei ter ele ali, mesmo que virtualmente, ele fazia com que eu me sentisse especial, como se realmente ele lembrasse todas as manhãs de mim, como se ele também esperasse pela minha mensagem de boa noite. Um dia, decidi que não iria mandar mensagem para ele, fui trabalhar e sai mais cedo para não encontrar com ele, voltei no horário do almoço e estacionei meu carro longe do restaurante, pois a vida faz coisas que nos surpreende, quando eu estava saindo do meu carro, dei de cara com ele na calçada, de braços cruzados, óculos escuro, cabelo arrumado e barba bem feita, tão cheiroso que eu tinha a absoluta certeza que eu conseguiria sentir o perfume dele a quilômetros de distância.

 

“Você não respondeu minha mensagem de bom dia, eu também não ti vi hoje pela manhã, então decidi esperar aqui, para ganhar meu bom dia ao vivo e bem de pertinho.” – Ele era muito bom nesse jogo de conquista.

 

“Desculpe, eu estava ocupada.” – Sorri sem conseguir olha-lo nos olhos, não era verdade, eu não respondi porque ando querendo fugir dele e do que sinto, porque sei de cor como isso terminará e não quero me machucar.

 

“Se você estava ocupada, ou melhor, se você continua ocupada, eu não quero incomodar, não gosto de atrapalhar as pessoas, desculpa ter te esperado. Tchau” – Ele descruzou os braços e saiu caminhando lentamente, e a cada passo que ele dava para longe de mim, me faltava o ar e eu sentia meu coração indo embora com ele. Eu continuava parada no meio da calçada olhando ele ir embora, eu não podia deixar que ele escapasse, eu não podia deixar ele ir embora assim.

 

“Besnik, espera.” – Eu precisava contar o que estava acontecendo, ser covarde nunca foi a minha cara, eu sei que eu ia sair machucada mas eu precisava dizer, precisava deixar ele sabendo o que estava acontecendo e, depois, bem, depois eu iria ver o que faria para esquece-lo.

 

“Besnik, desculpa, precisamos conversar, eu não sei bem como dizer isso, mas…” -Ele virou as costas sorriu, pegou a minha mão, e começou a falar.

 

“O que Alicia? Vai dizer que me ama? Por favor, eu não sou idiota, eu sei que acontece algo muito forte entre a gente, eu também sinto, agora aqui, segurando sua mão, sinto como se uma corrente elétrica passasse pela gente, como se fosse destino, como se precisássemos ficar juntos. Não sei que sentimento é esse, talvez seja até amor, eu não sei, nunca amei ninguém. Então, deixa eu te dizer que eu sinto muita coisa por você, e me sinto confuso também e até mesmo vulnerável, mas não sei se isso tudo é amor, e não quero te machucar, não quero mesmo.” – Meu orgulho deu cambalhotas de tanta raiva, estava levando um fora antes mesmo de dizer alguma coisa.

 

“Você está drogado? Porque eu não faço nem ideia do que você está falando. Eu só ia dizer que sim, continuo ocupada e queria pedir para você não ficar me esperando, me cercando, ou passando na frente da minha casa com os vidros do carro abaixados, andando a menos de 10km por hora.” – droga. Não era nada disso.

 

“Não se preocupe, assim como você disse que eu apareci do nada, eu vou sumir do nada também, você não lembrará mais de mim. Seja feliz.” – Ele saiu andando e não olhou para trás, eu fiquei ali sem entender muito o que tinha acontecido e porque eu havia explodido daquela forma, a raiva tinha tomado conta de mim, raiva por ele ser como é e por mexer tanto comigo. Decidi que iria esquece-lo, era o melhor a ser feito. No entanto, meu coração não concordava com isso, e fazia com que minha mente reproduzisse seu rosto na minha mente o tempo todo, entrei no Instagram e não achei, procurei, procurei e nada, e então a conclusão, ele havia me bloqueado. Senti ainda mais raiva, não sabia o que fazia, se deixava, esquecia, ou se ligava perguntado qual a dele. Peguei minha raiva, meu fone de ouvido e fui malhar.  Quando voltei da academia, chequei a conta do insta e estava bloqueada ainda. Corri para o banho e enquanto a água lavava meu cabelo, meu corpo eu pensava no quanto desejava lavar meu coração e tirar o Besnik de lá.

 

Um mês se passou e eu já não aguentava mais, parecia que existia um buraco no meu peito que não cicatrizava nunca, eu queria correr em direção a ele, quando ficávamos uns cinco dias sem nos ver na rua, essa dor diminuía, mas era só vê-lo e tudo voltava a doer de novo e doía ainda mais porque parecia que ele nada sentia. Em plena segunda feira decidi que era o último dia em que eu sofreria, acordei mais cedo que o normal e fui caminhar no parque, com meus fones de ouvidos no volume máximo, quase estourando meus tímpanos, a minha intensão era que a música ficasse tão alta dentro da minha cabeça que conseguisse fazer com que meus pensamentos se calassem por uma hora no mínimo. Estava caminhando de volta para casa quando esbarrei no Besnik, ele estava na frente do restaurante, com as mãos cheias de encomendas e eu o fiz derrubar tudo, me abaixei e rapidamente comecei a ajuda-lo a juntar tudo.

 

“Besnik sinto muito, não te vi, estava ouvindo musica distraída, e..”

 

“Eu sei que você não me viu, para quem dizia que me amava, você me esqueceu bem rápido, agora nem me veja mais.” –  Ele estava olhando fixamente para minha boca e eu poderia jurar que queria me beijar, de repente tudo começou a esquentar, a respiração começou a ficar ofegante e eu senti a mão dele na minha cintura, em poucos segundos a boca dele estava na minha, quente, forte, deliciosamente macia. Senti como se estivesse flutuando e então eu percebi que eu estava no ar, ele estava me segurando pela cintura para que o nosso beijo não desencaixasse, eu estava sem ar, mas se pudesse escolher, morreria agora aqui, com a minha boca na dele.

Então senti os braços dele se afrouxando, largando a minha cintura, senti meus pés tocando o chão novamente…

 

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